É?
Olha só, meu bem. Olha bem. Tanta coisa
mudou, você mudou, o mundo mudou, as pessoas mudaram... e eu mudei. Tem algo
que me consome, que me devora, domina e (quase) mata. Sabe o quê? É impotência,
medo, insegurança e incompetência. É ficar só. É ficar só junto. É espaço. É privacidade.
É invasão. É necessidade. É desejo. É tempo. É querer ficar perto, mas querer
ficar longe. É querer beijar, mas querer ser beijado. É querer ir, mas querer
que venha, mas querer que fique. Enquanto isso, eu fico nessa madrugada de
domingo. Escrevendo e ouvindo. Sentindo. Pensando. Tocando. Você também? Você
pensa em mim? Você sente meu cheiro? Quero aprender a amar direito, sem meu
jeito torto e desesperado. Digo pra mim mesmo, pra você, pro mundo, que sou
maduro. Lido bem com as coisas. Sou um homem de verdade. Apago as luzes e as
lágrimas descem. Desligo o telefone e o soluço sai. Mas sou um homem de
verdade. Fica. Vai. Liga. Desliga. Eu espero. Vem logo. Relaxa. Apareça. Te amo.
Me ama. Olho pro relógio e somo números e viajo pra bem longe daqui e imagino
as horas que ainda vão passar aqui. Leio. Assisto. Escuto. Ocupo. Me ocupo. É te
esquecer pra te lembrar. É me desligar. É te ligar. É nos (des)ligar. É chorar.
É gritar pra ninguém. É saudade. É aperto. É alívio. É paixão. É amizade. É dor.
É amor. É. É?
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