domingo, novembro 24, 2013

Novo cotidiano.

E as ligações que não fiz.
As mensagens que não mandei.
As fotos que apaguei.
A minha vida em um único dia, e, nesse dia, minha vida inteira.
Tudo tão certo, tão frio, tão concreto.
Espaço demais, liberdade. Espaço de menos, também.
Simbiose.
Individualidade.
Promessas.
Dúvidas.
Certeza.
Sair pra se encontrar. E se perder. E me perder. E eu te perder.
Abrir a mente demais.
De menos.
Qual o limite?
Linhas muito tênues que nem percebemos que estamos cruzando.
Fala que me ama.
É da boca pra fora?
É do momento?
E se for, o momento conta?
Verdades.
Mentiras. E, nisso, tudo, incertezas bem certas.
Poemas digitais.
Poemas manuscritos.
Poemas datilografados.
Poemas criptografados.
Como o corpo se comporta fora do corpo?
Como você se comporta fora de mim?
E eu, de você?
Como dois-que-eram-um se tornam dois?
E como esses dois se comportam?
No final de tantas dúvidas, tudo soou como certeza.
E era tanta certeza, que acabei ficando na dúvida.
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domingo, outubro 13, 2013

É?

Olha só, meu bem. Olha bem. Tanta coisa mudou, você mudou, o mundo mudou, as pessoas mudaram... e eu mudei. Tem algo que me consome, que me devora, domina e (quase) mata. Sabe o quê? É impotência, medo, insegurança e incompetência. É ficar só. É ficar só junto. É espaço. É privacidade. É invasão. É necessidade. É desejo. É tempo. É querer ficar perto, mas querer ficar longe. É querer beijar, mas querer ser beijado. É querer ir, mas querer que venha, mas querer que fique. Enquanto isso, eu fico nessa madrugada de domingo. Escrevendo e ouvindo. Sentindo. Pensando. Tocando. Você também? Você pensa em mim? Você sente meu cheiro? Quero aprender a amar direito, sem meu jeito torto e desesperado. Digo pra mim mesmo, pra você, pro mundo, que sou maduro. Lido bem com as coisas. Sou um homem de verdade. Apago as luzes e as lágrimas descem. Desligo o telefone e o soluço sai. Mas sou um homem de verdade. Fica. Vai. Liga. Desliga. Eu espero. Vem logo. Relaxa. Apareça. Te amo. Me ama. Olho pro relógio e somo números e viajo pra bem longe daqui e imagino as horas que ainda vão passar aqui. Leio. Assisto. Escuto. Ocupo. Me ocupo. É te esquecer pra te lembrar. É me desligar. É te ligar. É nos (des)ligar. É chorar. É gritar pra ninguém. É saudade. É aperto. É alívio. É paixão. É amizade. É dor. É amor. É. É?
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segunda-feira, junho 08, 2009

depoimento de um inocente.

tudo começou há sete anos. ela era bem mais nova do que eu. o que posso fazer? sempre que a via me vinha um sentimento estranho. um calafrio na espinha. um calafrio que dói. um calafrio que quase se transformava em um orgasmo. só em sentir seu cheiro, meu dia já ficava praticamente pleno. ela costumava confiar em mim. me abraçava de uma maneira. como se só eu importasse pra ela. mas isso foi há muito tempo. hoje, ela nem olha pra mim. não me visita. eu sofro com isso, pois nem foto dela sequer eu tenho guardada. a culpa é minha? eu não posso controlar o que meu corpo, meu coração(ou seja lá o que for) quer. como qualquer pessoa, tenho desejos que precisam ser realizados. tocá-la era como uma necessidade fisiológica. era como uma droga na qual eu já estava viciado. durante sete anos, fizemos toda e qualquer posição que alguém possa imaginar. dizem que eu não deveria ter feito o que fiz. mas eu posso dizer que fui feliz. durante sete anos. apesar de que praticamente sempre ela chorava, sangrava e, até, desmaiava. mas eu nunca parava. quando ela achava que era o fim, para mim era apenas o começo. comigo ela descobriu coisas que demoraria anos para descobrir(palmas para mim). conhecia todas as partes de seu corpo. mais do que qualquer pessoa possa tentar. atualmente, não nos falamos. não pensamos um no outro(na verdade, pensamos. eu penso nela. ela evita pensar em mim -certo?). segundo ela, eu causei um enorme trauma em sua vida. para mim, ela me causou enormes anos de prazer. quem está certo? até onde eu saiba, os pais sempre têm razão. não é verdade, meretíssimo?
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quarta-feira, maio 27, 2009

me inspiro. escrevo. parodio.

estacionou o carro. saiu. entrou em casa. procurava pelo companheiro. na verdade, sonhava em não encontrá-lo. pensou em escrever uma carta de despedida. para ele ler quando chegar. mas aquilo não era, nem um pouco, a sua cara. foi ao porão. a porta estava trancada e ela não possuía a chave. estaria ele ali? como não conseguiu entrar, resolveu arrumar as coisas para abandonar aquela vida infeliz. não pretendia levar muita coisa, só aquilo que a fazia sentir completa. alguns álbuns de fotos, de músicas. pensou em levar uma máquina que havia ganhado no último natal. deixou onde estava. queria ir embora o mais rápido possível. "ele pode chegar a qualquer momento". onde ele está uma hora dessas? parou um pouco. pensou nos bons momentos que havia tido com ele. mas, logo em seguida, lembrou das falsas promessas, das mentiras, das traições, dos abusos físicos e psicológicos. vale à pena ficar? desceu as escadas. tudo que a cercava a assombrava. a sala, a cozinha, até mesmo o lixo deixado ao lado do sofá a faziam ver um grande pesadelo, do qual ela estava se livrando, de uma vez por todas. mais uma vez parou. dessa vez diante de uma fotografia. a primeira foto, o primeiro registro de quando eles pisaram pela primeira vez naquela maldita casa. "ele pode chegar a qualquer momento". passou os olhos, uma última vez, pelo que podia ser visto da porta de entrada. olhou para a porta do porão. pensou em tentar abri-la de novo. ela não possuía a chave. voltou à porta de entrada. girou a chave. abriu a porta. sentiu o vento como nunca. parecia que o mundo lhe dava boas vindas à liberdade. ouviu um estrondo. em seguida, os vizinhos saíam de suas casas para saber o que havia acontecido. o vizinho da casa-ao-lado se aproximava. não entendia o que havia acontecido. aproximou-se da porta. encontrou a moradora da casa estendida no chão. gritou. um grito desesperado, que, com certeza, atingiu a mais fria das almas. ela estava enrolada por um lençol de sangue. sua face estava deformada. procurou alguém. viu a luz do porão acesa. a porta estava trancada. verificou se havia alguma chave por perto. não encontrou. procurou na pequena caixa ao lado do corpo jogado ao chão. ela não possuía a chave.





[take the box]
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quinta-feira, dezembro 18, 2008

quando não há texto, não há título.

é difícil começar, de repente, a escrever sobre alguma coisa qualquer. principalmente quando você não sabe sobre o que escrever. começa a imaginar centenas de coisas que jamais serão tão bem escritas em um papel como são nas nossas mentes psicopatas. procuramos termos, palavras, expressões... mas nada sai. pensamos nas novelas, nos filmes, nas músicas... ou até em escrever um livro. mas aí vem o velho choque: quem, em sã consciência, leria meu livro? eu leria(obrigado).
planos, sonhos, desejos, objetivos...tudo pode ser destruído num piscar de olhos, num virar de páginas, numa pequena, mísera, GIGANTESCA falta de compromisso consigo mesmo. às vezes achamos que tudo sairá como planejamos.. mas é só forçarmos um pouco mais a vista que veremos que nada é o que parece. por quê? pra quê? só o tempo dirá. tempo..tempo..tempo.. odeio falar sobre ele. porque sempre chegamos nas mesmas conclusões: só o tempo dirá, só o tempo cura, só o tempo. foda-se o tempo. quero meia xícara de tempo agora. [e a novela começa]
chega a parte do sono. que pensamos em desistir de escrever. quando a gente já sabe sobre o que quer escrever, já tendo um começo-meio-e-fim programados, dormir nos parece algo natural. mas quando o assunto nos parece algo inatingível? impossível? dormir vira o começo do fim. pois todas as idéias psicóticas que passam pela nossa cabeça hoje, podem voltar somente em 300 anos. ou nunca. nunca..que longe. não quero, não posso, não devo. como faço para matar o sono? café? que clichê.. fora o gosto, que é uma porcaria. escrever. é, essa á a solução. escrever e nunca parar. pra quê parar? se a vida não pára..se o mundo não pára, por que eu, um mero aspirante a aspirante a escritor, irei parar? não paro, não paro, lalalalalala. sinto que irei parar.. nem a vontade de escrever vence o sono. afinal, dormir é uma obrigação. uma boa noite de sono nos recarrega as energias(leia-se dormir às 4 da manhã). pelo menos dormirei. salvo o texto, durmo e volto a escrever. mas será que salvarei as idéias? será que ao reler esse maldito texto, minhas idéias voltarão à tona? será? odeio ter dúvidas. por favor, acrescente mais meio copo de certeza, sim? mas será que terá graça se eu tiver certeza de tudo? tá..não vou ficar especulando sobre como é bom as pitadas de incerteza na nossa vida. isso todo mundo já sabe, já escreveu e cantou sobre. não sou só mais um. se quero escrever algo memorável, terá de ser algo diferente. novo. e se ninguém ler? e se... volto a dúvida inicial. [e a novela recomeça] a dúvida vai ter que esperar. tenho que ir. até. não fecha a conta, por favor, pode ser que eu peça mais coisas amanhã.
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