me inspiro. escrevo. parodio.
estacionou o carro. saiu. entrou em casa. procurava pelo companheiro. na verdade, sonhava em não encontrá-lo. pensou em escrever uma carta de despedida. para ele ler quando chegar. mas aquilo não era, nem um pouco, a sua cara. foi ao porão. a porta estava trancada e ela não possuía a chave. estaria ele ali? como não conseguiu entrar, resolveu arrumar as coisas para abandonar aquela vida infeliz. não pretendia levar muita coisa, só aquilo que a fazia sentir completa. alguns álbuns de fotos, de músicas. pensou em levar uma máquina que havia ganhado no último natal. deixou onde estava. queria ir embora o mais rápido possível. "ele pode chegar a qualquer momento". onde ele está uma hora dessas? parou um pouco. pensou nos bons momentos que havia tido com ele. mas, logo em seguida, lembrou das falsas promessas, das mentiras, das traições, dos abusos físicos e psicológicos. vale à pena ficar? desceu as escadas. tudo que a cercava a assombrava. a sala, a cozinha, até mesmo o lixo deixado ao lado do sofá a faziam ver um grande pesadelo, do qual ela estava se livrando, de uma vez por todas. mais uma vez parou. dessa vez diante de uma fotografia. a primeira foto, o primeiro registro de quando eles pisaram pela primeira vez naquela maldita casa. "ele pode chegar a qualquer momento". passou os olhos, uma última vez, pelo que podia ser visto da porta de entrada. olhou para a porta do porão. pensou em tentar abri-la de novo. ela não possuía a chave. voltou à porta de entrada. girou a chave. abriu a porta. sentiu o vento como nunca. parecia que o mundo lhe dava boas vindas à liberdade. ouviu um estrondo. em seguida, os vizinhos saíam de suas casas para saber o que havia acontecido. o vizinho da casa-ao-lado se aproximava. não entendia o que havia acontecido. aproximou-se da porta. encontrou a moradora da casa estendida no chão. gritou. um grito desesperado, que, com certeza, atingiu a mais fria das almas. ela estava enrolada por um lençol de sangue. sua face estava deformada. procurou alguém. viu a luz do porão acesa. a porta estava trancada. verificou se havia alguma chave por perto. não encontrou. procurou na pequena caixa ao lado do corpo jogado ao chão. ela não possuía a chave.
[take the box]
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1 comentários:
Um digno escritor. Parabéns!
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